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Português: Declaração de apoio aos protestos do Irã

O badalar dos sinos transmite uma mensagem de PERIGO no Irã. A terra treme e a corrupção em todos os níveis de governo está matando o povo. Nós, cidadãos iranianos, somos vítimas solitárias em cada desastre natural. As nossas casas tombam com cada abalo sísmico. Morremos todos os dias em caminhos perigosos. Somos abandonados à nossa própria sorte quando incêndios devastadores atingem prédios precários. Até o ar foi preso e interditado para nos impedir de respirar. Mas eles, sentados em seus arranha-céus suntuosos, vivem mais tempo. Engordam com o nosso petróleo, acumulando mais e mais riqueza por meios ilícitos e violentos. Dia após dia, os nossos recursos naturais são devastados como nós; a nossa gente está imersa numa crise econômica paralisante, numa pobreza sem precedentes, insegurança pessoal, corrupção nacional, irresponsabilidade política e palavras de ordem ridículas e sem sentido, que só acarretam miséria ao povo do Irã. A nossa soberania nacional não é mais do que um circo dirigido por líderes irresponsáveis e implacáveis que, arrogantemente, acirram o ânimo internacional contra nós. Eles, empregando com esperteza o processo da democracia para zombar da democracia, pervertem e manipulam o processo eleitoral, submetendo-o para obter maior poder e, dessa forma, continuar humilhando o povo. A cada campanha eleitoral somos tratados como compradores ignorantes que não devem fazer perguntas nem exigir garantias.

 

Ao longo da história política e social da humanidade, o surgimento e crescimento de todo movimento de revolta baseia-se em três princípios:

1. Corpos que se unem.

2. Questionamento e análise.

3. Imaginação e visualização.

Do sofrimento dos operários da China e de Babilônia ao dos escravos do Egito e de Roma; dos camponeses de Cuba e do México aos trabalhadores da Espanha e do Irã, as semelhanças entre esses corpos que deram forma aos movimentos humanos de revolta são indiscutíveis. A unidade e instinto deles é a primeira linha de defesa natural contra a tirania. A reunião e o movimento contínuos e em uníssono são o primeiro passo, e o mais forte, rumo à mudança. Mas, o que é que impulsa esses corpos unidos para a frente? Indagar e pesquisar? Perguntar?

Cada vez que os seres humanos são presos, explorados, discriminados e desprezados, levantam o olhar e perguntam, a si mesmos e aos outros, por quê? Por que somos perseguidos e caçados como animais? Qual é o motivo dessa crueldade inumana? Por que somos torturados? Por que somos assassinados todo dia, sob qualquer pretexto? Esse questionamento, que é a essência da racionalidade, empurra esses corpos interconectados para a frente e leva eles a uma visualização construtiva: a imaginação é o ativo humano mais valioso e único. É como a chuva. Ninguém pode prendê-la ou detê-la. Ela sempre irá se filtrar, se alimentar, e criar uma nova paisagem.

Os iranianos nos procuramos há muito tempo. Agora nos encontramos uns aos outros nas ruas, nas fábricas da dor, nos escritórios do sofrimento, nas universidades da asfixia e nas nossas escolas congeladas. Houve pessoas que quiseram guiar ou ser guiadas por nós; então outras pessoas se tornaram as nossas amigas para abusar da gente. Olhamos o nosso passado com pesar e dor. Depois de um século, aprendemos finalmente que um movimento de revolta eficaz e poderoso não precisa de um líder ou de um salvador. A nossa luta contra o domínio tirânico precisa é de perseverança, dignidade, e de uma organização forte e sólida.

Hoje, o badalar dos sinos do Irã transmite uma mensagem de ALERTA. Os sinos  dobram para unir os nossos corpos. Para unir todos nós, sem importar etnia, nacionalidade, religião ou cor.

Exigimos vida, não guerra.

Fazemos um chamamento ao diálogo e ao respeito, não ao silêncio.

Pedimos memória, não amnesia.

Procuramos dignidade, não insultos nem humilhação.

Nos levantamos pela liberdade, não pela repressão.

Procuramos uma democracia real, não ilusória.

Queremos justiça contra os ditadores tirânicos.

 

Some Signatures: Paul Auster, Antonio Gamoneda, Margo Glantz, Esmail Khoi, Eduardo Milán, Mario Bellatin, Siri Hustvedt, Pierre Joris, Jerome Rothenberg, Charles Bernstein, Sholeh Wolpe, Mohsen Emadi, Omid Shams, Reza Ghassemi, Shahriar Mandanipour, Ángel Guinda, Manuel Martinez Forega, Agustin Porrás, Dariush Arjmandi, José Angel Leyva, Philippe Ollé-Laprune, Benjamin Mayer, Pablo Soler Frost, Frédéric-Yves Jeannet, Safaa Fathy, Mihaela Moscaliuc, Michael Waters, Louise Lawler, Payam Fotouhiyehpour, Ali Asghar Fardad, Saeed Yusef, Masud Noghrekar,  Artoro Loera, Sylvie Debs, Lyn Coffin, Guadalupe Nettel, Edward Telles, Rodolfo Mata, Ron Silliman, Peter Straub, Seb Doubinsky, Antoni Casas Ros, Luna Miguel, Jarkko Tontti, Saghi Ghahreman, Masud Tufan, Sepideh Jodeyri, Trinidad Ruiz Marcellán, Ismael Santos, Jennifer Mackenzie, Jared Schickling, Mary Jo Bang, Rob Stafford, Laurent Maindon, Pete Jordan, Reuben Woolley, Bjarne Kim Pedersen, Pouya Azizi, Nasrin Madani, Naeimeh Doostdar, Sasan Amjadi, Ursus Sartoris, Panos Bosnakis, Diana Naecke, Risto Niemi-Pynttäri, Mercedes Luna, Antoni Sanchiz, Isabelle Ingold, Jennifer Langer, Hossein Dowlatabadi, Catherine Davidson, Jeffrey Ruoff, Jorgen Mikkelsen, Mario Domínguez Parra, Rosamaría Bolom, Suzanne Roberts, Scott Ezell, Joyce Davis, Tom McColl, Eloísa Otero, Giorgio Lavezzaro, Irena Corsini, Manouchehr Dousti, Roozbeh Asadian

Statement supporting Iran's protests

  

Throughout humanity’s social and political history, the emergence and growth of every uprising is based on three principles:
1. Bodies coming together,
2. Inquiry and examination,
3. Imagination and visualization.

From the suffering laborers of China and Babylon to the slaves of Egypt and Rome, from the peasants of Cuba and Mexico to the workers of Spain and Iran, the similarities among these suffering bodies that have shaped human uprisings is indisputable. Their unity is the most natural first line of defense instinct against tyranny. The continuous gathering and movement of bodies in unison is the first and strongest step towards change. But what will move these unified bodies forward? Inquiry? Questions?

Wherever and whenever human beings are jailed, exploited, and subjected to discrimination and contempt, they lift their gaze and ask themselves and others: Why? Why are we chased and hunted like animals? What is the reason for this inhuman cruelty? Why do they torture us? Why do they kill us daily under whatever pretext that suits them? This questioning, which is the essence of rationality, pushes these interconnected bodies forward, and leads them towards a constructive visualization: imagination is the most valuable and unique human asset. It is a like rain. It cannot be jailed or stopped. It will seep in, cleanse, nourish, and create a new landscape.

We Iranians, have long been searching for one another. Now we have found each other in the streets, in the factories of pain, in the offices of suffering, at the universities of suffocation, and in our frozen schools. At times, there were those who wanted to lead us, or be led by us; then others befriended us in order to abuse us. We looked at our past with regret and grief. After a century, we have finally learned that an effective and powerful uprising has no need for either a leader or a savior. What we need in our struggle against tyrannical domination is perseverance, human dignity and strong organization.

Today, the bells of Iran are tolling ALARM. They toll to bring our bodies together. All of us, regardless of ethnicity, nationality, religion or color.

We demand life, not war.
We call for dialogue and respect, not silence.
We ask for memory, not amnesia.
We seek dignity, not insult or humiliation.
We rise up for freedom, not repression.
We want democracy, not an illusion of it.
We seek justice against tyrannical dictators.

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